VIAGENS

Viajar na Polónia e Hungria: Custos para 10 Dias

Vista do Castelo de Buda para o outro lado do rio Danúbio

As questões relacionadas com o dinheiro são as que impedem mais pessoas de viajar. Infelizmente, viajar continua a ser um privilégio, e ter dinheiro para o fazer não é fácil. Nós sabemos bem o que é contar cada cêntimo para poupar dinheiro para as nossas viagens, e ao longo dos anos fomos aprendendo como “esticar” o dinheiro que temos. Viajar é um privilégio, mas não é só para ricos! Com algum planeamento antes e durante a viagem, é possível conhecer o mundo com um orçamento apertado. Viajar na Polónia e na Hungria, é uma ótima opção para quem procura uma viagem mais em conta!

Ter uma estimativa dos custos é uma ótima forma de começar este planeamento, e perceber se o destino se adequa à nossa carteira. Por isso mesmo, acreditamos que vale a pena partilhar artigos de custos como este, onde partilhamos valores reais, e não estimativas do custo de vida. Quanto custa viajar na Polónia e na Hungria? Aqui podem ver a nossa experiência durante 10 dias por estes dois países. Já estávamos com saudades da capital polaca depois do nosso maravilhoso Erasmus em VarsóviaZakopane e Budapeste estavam na nossa lista de “lugares a visitar” já há bastante tempo. Adicionamos um dia em Cracóvia ao itinerário por motivos práticos, mas foi bom revisitar a cidade.

Esta viagem foi feita no Inverno, no início de Janeiro. Apesar do frio, nós adoramos viajar nesta altura, principalmente porque há muito menos gente a fazê-lo! Mesmo em Zakopane, uma cidade no sul da Polónia que funciona como um resort de Inverno, não tivemos problemas com o excesso de turistas, filas ou enchentes. A época baixa também é tendencialmente mais barata, sobretudo em termos de alojamento. Independentemente, com algum planeamento, é possível encontrar boas ofertas em qualquer altura do ano.

Como já é habitual nos nossos artigos sobre custos, as despesas foram divididas em cinco categorias: Transportes, Alojamento, Alimentação, Atrações e Extras. De forma a ser possível comparar preços, fica aqui a nossa taxa de câmbio (incluindo todos os custos associados a trocar dinheiro): para a Polónia, 1€=4,23zł enquanto que para a Hungria, 1€=295Ft. 

Transportes

Apesar de termos comprado os nossos bilhetes de avião com bastante antecedência, não foram tão baratos como desejávamos. Procuramos imenso e escolhemos as datas de acordo com os preços mais baixos, mas no final de contas, não podemos dizer que a viagem tenha sido um achado. No entanto, viajar de Portugal para a Europa Central é muito mais barato do que há poucos anos atrás, graças às companhias aéreas low-cost como a Wizz Air e a Ryanair. Na altura, tivemos também de pagar taxas extra pela nossa bagagem. Uma vez que este é um custo muito específico, decidimos não o incluir nas contas finais, mas fica aqui como referência. O voo de ida para Varsóvia e o voo de volta de Budapeste para o Porto custaram no total 363€ para os dois.

Agora, passemos para quanto custa na prática viajar na Polónia e na Húngria. De autocarro, viajamos de Varsóvia – Zakopane – Cracóvia – Budapeste (quase 1000km no total) por apenas 16€ por pessoa! Sim, foi assim tão barato fazer estas viagens. O truque é sempre marcar com antecedência, e recorrer também a camionetas low-cost. Neste caso, usamos a Flixbus.

Devido a algum constrangimento em termos de tempo, tivemos de apanhar um táxi em Zakopane e um Uber em Cracóvia. Para tudo o resto, usamos apenas transportes públicos (e muito as nossas pernas!), tendo funcionado perfeitamente para nós. Gastamos 14€ cada num passe de transportes para Budapeste. Sinceramente, não sabemos bem se valeu a pena comprar uma vez que a cidade é bastante plana para andar a pé. No entanto, os transportes públicos em Budapeste podem ser considerados também uma atração turística, principalmente se apanharem a Linha de Metro 1 (a mais antiga da cidade!) ou o elétrico número 2, que vos leva para as atrações principais da cidade.

Todo o dinheiro que gastamos em transportes (para dois):

  • Autocarros entre cidades (Flixbus): 32€
  • Transportes públicos nas cidades: 38€
  • Táxi + Uber: 9€
  • Transporte para o aeroporto de Budapeste (MiniBud): 18€
  • Total: 97€

Como poupar mais?

Nesta área dificilmente conseguem poupar muito mais. Podem optar por não gastar dinheiro para viajar dentro das cidades, mas isso vai significar que vão precisar de mais tempo para chegar aos sítios, e isso pode ser um problema se tiverem pouco tempo (como nós). É importante planear com antecedência e verificar todos os descontos existentes para poupar o máximo!

O alojamento em Zakopane incluiu uma vista para as montanhas por menos de 50€ por noite

Alojamento

Durante os seis meses que passamos em Varsóvia em Erasmus, um dos nossos objetivos era viajar o máximo possível. Conseguimos conhecer muito da Polónia e viajar bastante pela Europa Central e de Leste graças aos transportes acessíveis, e claro, às camionetas noturnas. Fomos aprendendo a arte de dormir durante viagens noturnas de longa distância (basicamente aprendemos a dormir em qualquer tipo de viagem, acreditem!) de forma a poupar algum dinheiro em alojamento. Desta vez, adicionamos até uma noite no aeroporto para poupar ainda mais! Fizemos duas viagens noturnas (Varsóvia-Zakopane e Cracóvia-Budapeste) que nos pouparam duas noites de alojamento. Por outro lado, aquando a reserva do nosso alojamento, escolhemos alternativas bastante confortáveis sabendo que viajar no Inverno é especialmente cansativo, e requer um sítio quente e acolhedor para regressar após um dia bastante frio. Uma vez que passamos pouco tempo em cada cidade, tínhamos também a condição de ficar perto do centro. Como já é habitual, ficamos em quartos duplos com casa de banho privativa, sendo esta a nossa preferência pessoal quando viajamos. Em Varsóvia acabamos por ficar num excelente apartamento, perfeitamente localizado na zona histórica (um sonho tornado realidade, ainda que por uma noite apenas).

Todo o dinheiro que gastamos em alojamento (para dois):

Tendo em conta que esta foi uma viagem de 10 noites, no final de contas, cada um de nós gastou apenas 15€ por noite em alojamento. Acho que podemos considerar que ficou bastante em conta, principalmente considerando a qualidade dos sítios em que ficamos, a um preço bastante difícil de desencantar em qualquer parte da Europa (mesmo dormindo no aeroporto, e com autocarros noturnos).

Como poupar mais?

Nós fazemos questão de ficar num quarto duplo com casa de banho privativa, o que encarece sempre um pouco as opções. Ficar em quartos partilhados, ou mais longe do centro são formas de poupar em alojamento. Caso viajem num grupo maior, pode fazer sentido investigar opções no Airbnb.

Viajar na Hungria é um pouco mais caro do que viajar na Polónia em termos de alimentação

Alimentação

Não existe nada como viver na Polónia para passar a adorar chá. Nada é mais reconfortante do que ter uma chávena quente nas nossas mãos quando as temperaturas exteriores estão abaixo de -20ºC. Bebemos uma quantidade astronómica de chá durante este viagem, tanto que podemos dizer que isto foi o nosso combustível. Quanto ao resto, as nossas refeições principais variaram entre cozinha tradicional polaca e húngara, incluindo pierogis, e os maravilhosos chimney cakes.

Quando se viaja durante o Inverno, é importante alocar uma fatia maior do orçamento para comida, não necessariamente porque seja necessário comer mais, mas porque passar algum tempo num sítio quente se torna algo essencial, o que no final, na maioria dos casos significa gastar mais dinheiro. Comer uma sandes num parque não é de todo uma opção com medo de que nos caia um dedo após tirarmos as mãos dos bolsos (sim, mesmo com luvas!). Pelo menos, esta é a nossa experiência, os mais resistentes ao frio podem achar o contrário.

Viajar na Polónia é um paraíso para quem adora comer fora. Os preços são muito razoáveis, e as opções em cidades como Varsóvia ou Cracóvia são quase infinitas. Em Zakopane, por ser um destino muito turístico e se encontrar em época alta, encontramos alguns preços inflacionados. No entanto, nada de outro mundo comparando com preços portugueses. Viajar na Hungria nesta altura, e principalmente Budapeste, já é um pouco mais caro, assemelhando-se aos preços que encontramos no centro de Lisboa. Em Budapeste, tenham atenção que comer em mercados não significa necessariamente comer barato como possam pensar. Uma dica: tentem fazer uso dos menus pré estabelecidos nos restaurantes.

No final, gastamos 319€ em alimentação em conjunto, um pouco mais que 15€ cada um por dia… Ficamos bastante contentes com este número, especialmente considerando todo o chá que bebemos (e chocolate quente, e mojitos, e… comida, claro!).

Como poupar mais?

Comer sandes no parque é mesmo a melhor forma de poupar em alimentação. Contudo, nem sempre é possível. Independentemente, os supermercados são bastante acessíveis, e são uma ótima opção, mesmo para quem não tenha cozinha no alojamento.

A capital polaca está recheada de tesouros a visitar que muitos desconhecem

Atrações

A nossa forma favorita de explorar é, sem dúvida, apenas passear pelos lugares e tentar conhecer toda a sua essência. Tentamos não gastar muito tempo (nem dinheiro) em atrações pagas, mas claro, alguns lugares são quase obrigatórios. Tenham em conta que a Casa Virada ao Contrário (conhecida como Dom Do Gori Nogami) em Zakopane não é definitivamente um desses lugares, na nossa opinião.

Para alguns pode ser algo estranho considerar um funicular e um teleférico como atrações e não transportes. Bem, a realidade é que os usamos como uma atração e não como uma forma de chegar do ponto A ao ponto B.

Mais de metade do dinheiro gasto em atrações foi no teleférico para o Kasprowy Wierch. Uma subida no mínimo divertida, durante uma tempestade de neve. Mais engraçado ainda foi quando chegamos ao topo e pudemos regalar as nossas vistas para o… nada. O tempo estava tão mau que nem sequer conseguíamos ver os nossos próprios pés. Segundos após assentarmos os pés na montanha, ficamos completamente cobertos de neve! O teleférico em si foi, no entanto, uma boa experiência, uma vez que conseguimos ver alguns belos pinheiros cobertos de neve. O mais curioso é que este sítio nem sequer estava nos nossos planos para Zakopane. Era suposto termos feito uma caminhada pelo  Morskie Oko, mas uma tempestade de neve, e a nossa falta de capacidade de sobreviver estilo Bear Grylls, forçou-nos a desistir da ideia.

Todo o dinheiro que gastamos em atrações (para dois):

  • Torre da Igreja de Santa Ana em Varsóvia: 2€
  • Funicular Gubałówka em Zakopane: 11€
  • Willa Koliba – Museu do Estilo de Zakopane: 3€
  • Teleférico Kasprowy Wierch em Zakopane: 46€
  • Dom Do Gori Nogami –  Casa virada ao contrário em Zakopane: 2€
  • Országház – Edifício do Parlamento Húngaro em Budapeste: 8€
  • Terror Háza – Museu do Terror em Budapeste: 7€
  • Total: 79€

Como poupar mais?

Existem imensas coisas grátis para fazer em qualquer lugar. Por isso, é possível viajar na Polónia e na Hungria sem gastar dinheiro em atrações. Existem também Free Walking Tours em Varsóvia, Cracóvia e Budapeste – caminhadas grátis pela cidade, que funcionam na base de gorjetas, onde cada um paga o que pode (e quer). Façam o planeamento relativamente às atrações que querem visitar com antecedência, e percebam se existem descontos disponíveis. Para estudantes, aconselhamos a adesão ao cartão ISIC, sendo que várias atrações requerem para fazer o desconto de estudante.

É difícil viajar na Polónia e na Hungria sem querer trazer a mala recheada de souvenirs

Extra

Para esta viagem não temos nenhum custo específico extra para adicionar. Por um lado, pudemos aproveitar a livre circulação dentro da União Europeia, e por outro, pudemos também fazer uso do Cartão Europeu de Saúde (que é grátis!). Felizmente, não tivemos que o usar. Apesar do tempo gélido e de uma terrível constipação, conseguimos ultrapassar bebendo imenso chá e tomando alguns medicamentos para a gripe.

Numa nota final, tenham atenção ao comprar souvenirs! Ambos os países têm imensas coisas bonitas que talvez queiram levar para casa. Desde cerâmica pintada à mão da Polónia, até caixas mágicas na Hungria, e muito muito mais! Para quem gosta de trazer recordações em forma de comida, não deixem Budapeste sem antes comprar paprika e (se puderem) tragam algum queijo convosco de Zakopane: as bancas que vendem oscypek (queijo fumado), oferecem também uma variedade que podem comprar como souvenir. Se estiverem em modo poupança, mas ainda assim querem voltar com recordações de ambos os países, tenham em conta que as souvenirs são significativamente mais baratas na Polónia.

Viajar na Polónia e Hungria: Custos para 10 Dias

Viajar ao Polónia e na Hungria é possível sem gastar muito dinheiro. Vejam exatamente quanto gastamos na nossa viagem de dez dias pelos dois países.

Viajar na Polónia e na Hungria é uma ótima opção para quem adora cultura, cenários incríveis, comida aconchegante, e preços acessíveis.

O que é que acharam? Convencidos de que esta foi uma viagem low-cost? Partilhem a vossa opinião connosco!

Faz pin deste post, vai ser útil no futuro!

Viajar na Polónia e na Hungria é possível sem gastar muito dinheiro. Vejam exatamente quanto gastamos na nossa viagem de dez dias pelos dois países.
Viajar na Polónia e na Hungria é possível sem gastar muito dinheiro. Vejam exatamente quanto gastamos na nossa viagem de dez dias pelos dois países.

Posts sugeridos para ti

Deixa um comentário